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AsiaNews entrevista em exclusivo a presidente dos Focolares

Posted in Maria Voce. on Quarta, Janeiro 20th, 2010 by redazione
Jan 20

A agência católica internacional, especializada em notícias relevantes dos países asiáticos, encontrou-se com Maria Voce, durante a sua etapa no Japão

Tóquio – 17 de Janeiro de 2010

Na conclusão da visita de Maria Voce e Giancarlo Faletti ao Japão, assinalada pelo frutuoso diálogo de várias décadas com o budismo (encontro com 3000 budistas do Movimento laico Rissho Kosei-kai), a presidente dos Focolares concedeu uma entrevista em exclusivo à agência internacional AsiaNews.

Relação entre Coreia e Japão, vida eclesiástica, o drama da divisão entre o norte e o sul da Coreia, foram alguns dos temas abordados. Mas no centro da entrevista, o foco concentra-se sobre o diálogo inter-religioso e inter-cultural: “Creio – diz Maria Voce – que o encontro entre Chiara Lubich e NikkioNiwano responda a um plano providencial no que diz respeito ao diálogo com o budismo. Devo, no entanto, sublinhar que este frutuoso diálogo, estamos a vivê-lo como a expressão do diálogo da Igreja com as outras religiões não cristãs. Praticamo-lo na qualidade de instrumentos da Igreja. A relação com a Rissho Kosei-kai favorece este diálogo”.

toda a entrevista de AsiaNews:

JAPÃO -COREIA

Maria Voce, do Movimento dos Focolares, em visita ao Extremo Oriente

de Pino Cazzinga

Tendo sucedido a Chiara Lubich, é a primeira viagem que faz à Ásia. Em mais de um mês, visita a Coreia do Sul, o Japão, as Filipinas e a Tailândia. Encontros sob o signo do testemunho de Cristo e do diálogo inter-religioso com o mundo budista. Uma entrevista do nosso correspondente.

Senhora Presidente, veio de uma visita à Coreia e agora está a terminar a visita ao Japão. Eu vou focalizar as minhas perguntas sobre estes dois países. A Coreia e o Japão, no que respeita às suas relações recíprocas são apresentados como “vizinhos-afastados”. São vizinhos pela geografia e cultura, afastados pelos atritos históricos ainda não sarados. É esta a sua impressão?

Eu penso que uma diferença existe certamente, sobretudo como diz, por razões históricas. Os incidentes do passado deixaram marcas. Mas na situação atual não me parece que não tenha havido uma aproximação. Isto parece-me evidente a nível eclesial. Senti da parte dos bispos coreanos e japoneses uma grande abertura recíproca. O arcebispo de Tóquio, Pietro Takeo Okada, que me concedeu uma audiência, falou-me com afeto e admiração da comunidade coreana, hóspede na catedral. Em resumo, parece-me que o antagonismo esteja a ser superado.

Não lhe parece que os focolarinos coreanos e japoneses, enquanto cristãos pertencentes a dois povos, podem fazer muito para promover ulteriormente esta aproximação?

Precisamente. O fato de haver focolarinos autóctones na Coreia e no Japão pode contribuir para reforçar esta ligação.

Durante a sua visita à Coreia, a senhora foi positivamente impressionada sobretudo pelo aspecto eclesial, enquanto que no Japão deu muita importância, ou considerou até mesmo uma prioridade, o diálogo inter-religioso.

Isso é verdade. Na Coreia eu vi uma Igreja Católica próspera e encontrei também vários pastores de Igrejas protestantes que me acolheram com muita estima e com muito calor. Não conheci líderes de outras religiões, mas senti que ali o diálogo inter-religioso está vivo.

Pôde encontrar o bispo Pietro Kang U-il, presidente da conferência episcopal coreana. Tendo ele raízes japonesas, encarna o drama da relação entre os dois povos. Pelo que eu sei é um bispo excecional. Que impressão lhe deixou?

Concordo consigo. A mim e aos meus colaboradores ele ofereceu um almoço, que se pode dizer um almoço de trabalho porque estavam presentes outros cinco bispos, que têm um papel importante na Igreja coreana. O bispo Kang pareceu-me uma personalidade excecional pela cultura, pela fé, pela confiança na Providência, pela atenção em favorecer tudo o que é comunitário na condução da Igreja e com os outros bispos. Penso verdadeiramente que a conferência episcopal coreana tenha sido bem confiada nas mãos de mons. Kang.

Qual é a atitude de Kang em relação ao Movimento dos Focolares e outros movimentos católicos? É só uma atitude de cortesia?

Eu diria que não. O bispo Kang convidou especialmente outros cinco bispos, precisamente para favorecer uma relação de conhecimento recíproco, ou melhor, de comunhão.

O drama da divisão entre o Norte (Pyongyang) e o Sul (Seul). Não acha que na origem do drama haja responsabilidades não assumidas por parte do Ocidente? A exploração do colonialismo, antes, e a desumanidade da ideologia do comunismo ateu, depois? Ambos os fenómenos de origem ocidental.

No passado, houve certamente responsabilidades. Infelizmente, no presente as potências circunstantes não são verdadeiramente favoráveis a uma reunificação da península coreana, porque temem que uma Coreia forte possa comprometer o equilíbrio entra as potências circunstantes.

No entanto, eu soube, que atualmente, muitas pessoas da Coreia do Sul, e não só no ambiente religioso, mas também no ambiente político, estão a dar alguns passos concretos de aproximação e de reconciliação. Mesmo entre aqueles que há alguns anos atrás se recusavam a dar ajudas à Coreia do Norte, agora muitos procuram vários modos de sustentá-la e de favorecer o desenvolvimento económico.

Na conferência de Imprensa em Seul, a senhora expressou a convicção de que “os coreanos possam dar muito, também às outras nações da Ásia, para as quais o mundo olha sempre com maior interesse”. Pode dizer qual é concretamente o contributo que espera deles?

A principal contribuição que a Coreia pode dar às nações da Ásia é o testemunho de que uma autêntica fé cristã, não só pode ir de acordo, mas favorece a tolerância e sobretudo o respeito pela liberdade e pelos valores fundamentais da pessoa humana e do seu desenvolvimento. O  impressionante desenvolvimento económico e civil que em poucas décadas, os cerca de 40 milhões de coreanos do sul conseguiram, é também esta uma mensagem para os povos da Ásia.

No Japão o Movimento dos Focolares privilegiou o diálogo inter-religioso e cultural. É um aspecto original ou trata-se do resultado da estreita relação entre o Movimento dos Focolares de Chiara Lubich e a associação budista Rissho Kosei-kai de Nikkio Niwano?

O empenho no diálogo inter-religioso, para além do diálogo ecuménico, estava já presente no movimento antes que Chiara encontrasse o fundador da associação Rissho Kosei-kai, em Roma, em 1979. Nessa altura, Niwano tinha já estabelecido relações com o catolicismo. Em 1965 tinha sido recebido em audiência por Paulo VI. Numa entrevista à Rádio Vaticana, concedida alguns anos depois, recordando aquele encontro, disse: “Antes eu olhava para o cristianismo de uma forma diferente. As palavras do Papa deram-me uma grande confiança no cristianismo e fizeram nascer em mim o desejo de encontrar grandes personalidades religiosas do nosso tempo, para poder chegar a uma maior união entre todos os crentes”.

Dito isto, creio que devo acrescentar que o encontro entre Chiara Lubich e Nikkio Niwano responde a um plano providencial com respeito ao diálogo com o budismo. No entanto, faço questão de sublinhar que este frutuoso diálogo, nós o vivemos como expressão do diálogo da Igreja com as religiões não cristãs. Praticamo-lo como instrumentos da Igreja. A relação com a Rissho Kosei-kai favorece este diálogo.

O budismo plasmou ao longo dos séculos a cultura japonesa. Não acha que os “Focolares” japoneses e coreanos possam contribuir para que as duas igrejas se tornem autóctones também na sua expressão teológica e espiritual?

Creio que sim. Também na Itália há japoneses e coreanos no nosso movimento. Mas penso que serão as pessoas do lugar que poderão amadurecer a visão mais adequada para dar a conhecer Cristo à sua gente.

Depois do Concílio Vaticano II a evangelização ‘ad gentes’, que envolve plenamente os leigos, tornou-se uma prioridade também para os movimentos cristãos como o vosso. Não haverá o perigo de que sublinhando este aspeto se enfraqueça a dimensão da “sacramentalidade”, que é uma dimensão essencial do cristianismo?

O importante é sermos todos Igreja: sacerdotes e leigos, mas cada um no seu lugar. A evangelização  é um dever de uns e de outros. No entanto, penso que a missão evangelizadora dos leigos seja hoje, mais do que nunca, essencial, sobretudo nos setores onde a Igreja oficial não pode entrar, como a política, a economia e a cultura. O Pontifício Conselho para os Leigos está a preparar um congresso para a evangelização e o testemunho dos leigos na Ásia, o qual se vai realizar na Coreia. Pediram ao nosso movimento, como a outros, que contribuísse e participasse. Este testemunho dado em conjunto por parte dos leigos pode ser eficaz, sem prejudicar de forma nenhuma a “sacramentalidade”, mas, pelo contrário alimentando-a.

Pode-nos falar das relações entre o Movimento dos Focolares e o cardeal Pietro Shirayanagi, recentemente desaparecido?

Para nós foi como um pai. Ajudou a instalar e desenvolver o movimento no Japão. Durante trinta anos participou nas nossas “Mariápolis”, enquanto a saúde lhe permitiu. Encontrou-se várias vezes com Chiara Lubich e, no ano passado veio a Roma para celebrar uma missa em seu sufrágio. Para nós Shirayanagi foi o amor paterno e materno da Igreja e eu fui visitar o seu túmulo em Tóquio para lhe prestar homenagem.

2 Comments

  1. Vasco Lascialfari on Janeiro 21st, 2010

    Ho letto queste notizie del tour in Asia con grande piacere. E’ come un “incontro’ con persone di un’altra cultura, e di un’altra storia ed e’ bello scoprirne le ricchezze ed i valori, Molto belli i vari articoli di aggiornamento ed ho molto apprezzato le interviste che Maria Voce ha rilasciato ad Asia News/
    Auguri a lei ed al suo team per le prossime tappe . Grazie per questa idea brillante di questo diario.
    Vasco, Malta

  2. Rosangela Botelho on Janeiro 24th, 2010

    Grazie delle belle notizie che possiamo seguire attraverso questo diario ON-LINE. Se vede veramente i frutti di quanto Chiara ha seminato in questi anni verso queso dialogo.
    Rosangela – Brasile



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